A Importância das Mídias Sociais
Ao permitir que pessoas se mobilizem em todo mundo, a internet surge como um novo espaço público fora das instituições. Contudo, as Mídias Sociais podem ser vistas como um meio rumo à democracia participativa? São questões que pretendemos discutir nesta breve reflexão já que o jogo do poder depende também das novas mídias, via internet e celular, que são redes horizontais ou autocomunicação de massa. Assim, o sistema se abre a mensagem de todo tipo, individuais e de movimento sociais.
Questões como estas são colocadas no cotidiano brasileiro e vários autores como o sociólogo Manuel Castells, que analisou as mudanças que a internet produziu na cultura e na organização social, disse: “acabou a manipulação informativa sem resposta por parte da sociedade” e alertou para o descontentamento generalizado com os políticos que se comportam como marcas e se dedicam à crítica destrutiva, mais eleitoreira do que preocupada com o bem comum.
Porém, Cesar Maia em recente artigo publicado na folha de S. Paulo, cita o autor que trata da mudança na política pela transformação da Comunicação. Hoje o jogo do poder depende também das novas mídias. Estes atuam sobre valores sem objetivar o poder, e estão fora da sociedade civil organizada. Pois segundo Maia “aqui surgem práticas políticas insurretas, movimentos espontâneos dos indignados, que até desestabilizam governos. Passam por cima dos partidos e das regras do jogo. O espaço público está sendo reconstituído fora das instituições. As condições de mudanças se produzem nesse novo espaço de comunicação.
Outro fator de notável consideração dentro deste aspecto é que tem levado a questionamento, pois estamos passando de uma pretendida política 2.0 a uma reivindicada democracia 2.0, mas ainda não sabemos como funciona nem que efeitos secundários ela tem. Seria essa “democracia 2.0” o que se chama na ciência política de Democracia Participativa, segundo a qual um regime verdadeiramente democrático deve contar com mecanismos além do voto para garantir a participação popular nos rumos do país?
A relação entre Política 2.0 X Democracia 2.0 estão nas pautas do dia há de se observar as campanhas políticas invadiram a Web. É a era da política 2.0. Os candidatos inundam as redes sociais e os blogs, mas, na maioria dos casos apenas repetem a mesma propaganda que penduram nos postes ou gritam nos alto-falantes. Ignoram e passam a usar a ágora contemporânea que inclui as redes sociais, mas essa praça não termina ai, não se limita às redes virtuais. Se completa com a presença pública. Desrespeitam a variedade de formas de comunicação, de possibilidades de manifestar o descontentamento, dentro e fora das ruas. Em nenhum caso há uma possibilidade real de participação do cidadão. Usam outros meios de comunicação, mas o tipo de política é o mesmo: “se faz tudo pelo povo, mas sem o povo” (lema “do velho despotismo esclarecido”).
Somos a favor da cidadania e ai retomamos a questão da democracia representativa, pois a mesma se ressente de políticos que não representam os cidadãos; basta lembrar do escândalo da Assembléia Legislativa em Belém, caso Sefer e a famosa lei da ficha limpa são famosos casos em que a Opinião Pública fica sem respostas e por isso exigem redefinir a democracia para adaptá-la a uma sociedade que mudou, na qual todos podem se expressar e se organizar.
Dentro desta realidade surgem manifestações que não são organizadas por partidos nem por sindicatos, e sim pelos próprios indivíduos. É o que Enrique Dans chama de “reinvenção pacífica de uma democracia que necessita adaptar-se ao seu tempo. Uma nova transição: a Transição 2.0”.
Mas, vários autores também chamam atenção para o fato de que essas redes podem ter efeitos antidemocráticos. Através delas podem ser divulgadas agressões diversas, discursos de ódio, racismo, exclusão e intolerância religiosa e aqui ressaltamos as religiões Afro-Brasileiras.
A internet e as redes sociais não devem ser idealizadas como a salvação da democracia, embora possam contribuir para aumentar a densidade do engajamento civil e para aproximar a esfera política dos cidadãos. A internet coloca novas questões éticas, como deixam claros os processos eleitorais em que ela se fez presente. Se a internet pode estabelecer formas mais diretas de interlocução entre candidatos e eleitores, também pode ser usada para disseminação de mensagens difamatórias anônimas e calúnias.
As tecnologias digitais de comunicação mostram capacidade de mobilizar mais para o caso do nosso país a lacuna é muito gritante pois, ainda não atingimos a educação digital em que todos tenham acesso a informação, e isso coloca em xeque que a revolução tecnológica mesmo tenha assumido um ápice na sociedade contemporânea as massas ainda são manobradas, pois esta lógica tem induzido mais estas classes para o consumo do que reivindicar seus direitos. Mas precisamos sonhar e a luta continua.
Vicente Negrão é graduado em Relações Públicas pelo IESAM, e atualmente faz especialização em Comunicação Corporativa na ESAMAZ.